Como uma boa viciada em serie não pude deixar de acompanhar as novas estreias da TV americana, resolvi assistir – pelo menos o piloto – para ver quais valeriam a pena acompanhar. Eis que hoje a tarde assisti a nova aposta da Fox The Following com os dois pés atrás: a série é protagonizada por Kevin Bacon que vive um sujeito perturbado pelo passado, com um problema grave de saúde, um cara meio incompreendido mas que é brilhante na hora da caçada. Um solitário que não gosta de seguir muito as regras. O vilão Joe Carroll faz mortes espetaculares e seus crimes sempre têm alguma citação ao escritor Edgar Allan Poe. Pode haver clichê maior do que esse? E como há esse detalhe no roteiro, o personagem de Bacon sabe tudo sobre a obra de Poe, afinal teve de estudá-la para decifrar o jeito de agir de Carroll.
Tendo recebido a confiança da Fox – Kevin Williamsom – tem a chance de mostrar que realmente é um dos melhores em sua posição atualmente na TV. Elementos para ser um sucesso ela têm. O episódio piloto foi excelente e soube mesclar o suspense e a ação, além de introduzir satisfatoriamente os principais personagens e o básico para atiçar o interesse do público. Tecnicamente, para mim, foi um episódio impecável. Direção madura, ágil e inteligente, que soube extrair o máximo do competente elenco mesmo diante de uma situação complexa (afinal, mal conhecíamos os personagens e já estávamos no meio de uma perseguição alucinada a um dos maiores psicopatas dos EUA). Até mesmo a trilha sonora foi perfeita e totalmente adequada. Confesso já abri um largo sorriso de alegria só de ouvir a genial Sweet Dreams de Marylin Mason.
O que se deve ter em mente é que a trama central de The Following é bem complexa e inteligentemente trabalhada. A mente de um psicopata é um dos maiores desafios de psiquiatras e especialistas que criam teses gigantescas para explica-las, mas, longe de trazer respostas.
E Williamson parece ter entendido isso, trazendo uma profundidade impressionante à Joe Carrol que, longe de um mero serial killer, apresentou tantas facetas de uma personalidade inquieta e excêntrica em apenas um episódio que me impressionou. Afinal, tínhamos um professor universitário, charmoso, inteligentíssimo, casado, obcecado pela obra de Edgar Allan Poe que, tomado pela poesia e o tom macabro das obras de seu ídolo sonha em criar um romance perfeito. Uma história com uma profundidade que impressionaria seu grande mentor. Sórdido. Macabro. Calculista. Esta é a personalidade de Joe Carrol.
Se a mente doentia de Carrol é o que dá o tom de The Following, apenas uma pessoa chegou tão perto de compreendê-la a ponto de se afetar por isso. Chegar tão perto da maldade pura muda qualquer um e tenho certeza que Hardy tem uma mente tão destruída quanto à de Carrol. A consequência da proximidade dos dois, com certeza, é muito maior do que um marca-passo. The Following terá apenas 15 episódios nessa primeira temporada. Servirão para testar o terreno. Se a coisa for bem de audiência, continua, caso contrário será cancelada sem a necessidade de fazer 24 episódios, o que é normal numa temporada.

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